no tempo em que o oxigénio esgota-se,
as dores torturam,
os apertos esmagam,
os olhos inundados, secam,
e o cérebro pára ...
tu-não-estás.
30.5.11
Quando a grande Lua, laranja sua côr, tomava conta daquele escuro céu de Verão no calmo Alentejo, observei o meu avô a contemplá-la. Sorria, perdido em memórias e recordações. Envolvi-me também no seu sorriso, e assim esperei por quem falasse.
- Ensinaram-me um poema sobre a Lua, é já muito antigo, aprendi quando tinha a tua idade, é assim:
"Oh Lua que vais tão alta,
Redonda como um caixote (ou tamanco), Maria trás lá a escada, Que eu não chego lá com o banco"
Sei que são memórias de um tempo vivído que desgasta um velho sábio, por seus anos, com a dureza da saudade. Mas nós rimos. Chorámos e rimos, sem quase motivo aparente. Talvez pela graça do poema, talvez por ali representarmos o 'Passado e Futuro', não sei bem, mas soube bem.
A Lua testemunhou tal feito, perante a cumplicidade que nos encontrámos, ela sorria e assim éramos três.
Foram noites, que em toda a minha vida, certamente, pedirei para voltarem.